Minha história

Um diagnóstico de câncer de mama em 1998 interrompeu esse sonho e mudou completamente os rumos da minha vida.

Foi preciso enfrentar não apenas as cirurgias e os tratamentos agressivos de químio e radioterapia, mas também toda sorte de entraves burocráticos na busca pelos meus direitos.

Convivendo com outros pacientes percebi que, no momento de maior fragilidade, as pessoas sofriam com a desinformação, a complexidade da legislação e a falta de um livro que consolidasse todas as normas legais e proporcionasse uma orientação clara e acessível.

Por incrível que possa parecer, portadores de câncer sofrem toda sorte de discriminação! Podem ser sumariamente despedidas do emprego, ficando sem ter como sobreviver e custear o tratamento. Benefícios previdenciários e isenções tributárias lhes são negados, os bancos lhe negam o crédito, a administração lhe nega a posse em cargos públicos, os planos de saúde lhe negam cobertura aos tratamentos. Nessas condições o paciente fica órfão de cidadania, passando a viver da caridade alheia.

Ao compartilhar esses conhecimentos, percebi que uma simples informação tinha o poder de mudar completamente a vida de um paciente. Presenciei situações absurdas como a de uma senhora que pagava as prestações de um imóvel que deveria estar quitado pela sua situação de invalidez ou de outro, que pagava imposto de renda sem saber que era isento e assim testemunhei muitos outros absurdos que me deixavam perplexa.

Constatando essa situação de abandono sócio-institucional e movida pelo sentimento de solidariedade resolvi escrever “CÂNCER – DIREITO E CIDADANIA”, cuja 1ª edição foi custeada por mim mesma, vendendo o meu próprio carro, pois não encontrei na época uma editora que acreditasse no projeto.

O livro, considerado um “garimpo jurídico”, hoje na 15ª edição, é um manual completo sobre o tema. Além de abordar toda a problemática do paciente de câncer, aponta caminhos e oferece dicas para que, da maneira menos desgastante possível, ele possa identificar, se conscientizar, reivindicar e fazer valer os seus direitos, resgatando assim sua cidadania e sua dignidade.